Adolescência. Só se fala nisso.
- idadecronica
- 22 de mar.
- 2 min de leitura
Não se fala em outra coisa. E eu, como parte interessada, mãe de duas adolescentes prestes a completar 13 anos, fui fisgada pelo turbilhão de debates sobre a série Adolescência.
Impossível não ser “puxada” por essa série. Mas o que me pegou mesmo não foi a crítica ou o roteiro impecável. Foi o nó na garganta que não me soltou até agora.
Falar sobre a atuação dos atores, sobre o roteiro e o plano-sequência como um protagonista a mais é “chover no molhado”. Eu preciso falar do que senti, das reações incontroláveis que a série despertou em mim — não apenas pela identificação, mas, sem dúvida, também pelo primor com que foi escrita e produzida.
Eu chorei. Muito. O nó foi crescendo. Gigante. Lá pelas últimas cenas, eu só queria correr para perto das minhas filhas. Para dentro dos pensamentos delas...Comecei a mirabolar uma descoberta genial para saber interpretar as caras de nojinho, as respostas monossilábicas. Será que tem um tom certo para perguntar como foi o dia na escola sem parecer interrogatório? Será que existe um jeito de dizer “tô aqui” sem ser um peso? Mandei trezentas críticas e mensagens pro meu marido ver a série — e ainda estava no segundo episódio. No quarto, me deparei na frente dele implorando que assistisse, que me ajudasse.
Me culpei. Me perdoei. Em segundos, me culpei de novo. Não sou uma mãe brilhante, não sou uma péssima mãe. Sou mãe. É a primeira vez que lido com a adolescência fora de mim, e se me lembro bem, não é uma fase fácil. Eu não era feliz, mesmo sendo.
Olhei para uma das minhas filhas por perto. Fui até o quarto da outra umas três vezes para observar o que ela estava fazendo. Lembrei do ranço que peguei de uma coleguinha que criticou o cabelo da minha filha com crueldade e a fez ficar dois anos de cabelo preso. Lembrei de quando eu não dei importância quando algo similar aconteceu com a outra. Tenho duas, na mesma idade, para duplicar as questões e errar dobrado.
Me prometi ficar mais atenta. Logo depois, chorei de novo, por saber que vou vacilar, mesmo fazendo o meu melhor. Pensei nos meus pais e quis perguntar o que eles fizeram para dar certo comigo. E lembrei que não foram só eles: foram meus tios, meus primos, meus avós, professores, amigos e os pais dos amigos…
Eu tive sorte. Encontrei ao meu redor mais amor, mais diálogo e acolhida, mais vida offline e mais aceitação do que abandono, bullying, descrédito…Tiktok.
Não vou terminar com alertas nem dividir minha moral da história, por mais que a série desperte isso em todos nós. Aqui, não tem moral da história.Tem só esse peito aberto, essa avalanche de sentimentos e um nó que não desata.
Se você também está aí, tentando, sentindo, errando e amando… Só queria dizer: tô junto.

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